A hipertensão arterial afecta quase metade da população portuguesa. Contudo, são poucos os portugueses em tratamento e muito menos os que estão controlados. Para o especialista Espiga de Macedo, muito depende do doente para evitar as consequências da hipertensão.
"O controlo da hipertensão arterial depende de um contrato entre médico e doente", defendeu Espiga de Macedo durante o XXVIII Congresso Português de Cardiologia.
Segundo o especialista em Medicina Interna no Hospital de São João do Porto, é
necessário um compromisso dos doentes para que os objectivos do tratamento sejam cumpridos e que as consequências da hipertensão sejam evitadas.
Para Espiga de Macedo, "a prevenção é fundamental nesse sentido, não sendo apenas suficiente o papel do médico e do medicamento". E como prevenção, o especialista entende por "evitar que os doentes cheguem ao médico num estado muito avançado da sua doença".
Contudo, "quando procuram um médico, a maioria dos doentes estão já numa fase avançada da repercussão da hipertensão arterial em vários órgãos, seja no coração com a insuficiência cardíaca ou o enfarte do miocárdio, seja no cérebro pelos acidentes vasculares cerebrais ou nos rins, com o desenvolvimento de doença renal", sublinha Espiga de Macedo.
Devido ao envelhecimento generalizado da população portuguesa, a insuficiência cardíaca e o enfarte do miocárdio estão a tornar-se problemas de saúde pública cada vez mais importantes. Por isso, é essencial o controlo dos factores de risco destas doenças, principalmente a hipertensão arterial. Neste sentido, Espiga de Macedo considera que "são necessárias armas terapêuticas para controlar estes doentes".
A obtenção de benefícios adicionais para além da redução dos níveis da tensão
arterial é, desta forma, uma vantagem para qualquer fármaco. De acordo com os resultados dos estudos Val-HeFT e VALIANT, divulgados durante XXVIII Congresso Português de Cardiologia, o valsartan (um anti-hipertensor da classe dos antagonistas dos receptores da angiotensina II) demonstrou reduzir a mortalidade em 33 por cento nos doentes com insuficiência cardíaca e em 25 por cento entre os indivíduos pós-enfarte do miocárdio.
Como explica Espiga de Macedo, "qualquer especificidade das terapêuticas disponíveis para o controlo da hipertensão arterial é uma vantagem no momento da escolha do medicamento".
De acordo com os resultados do estudo de prevalência realizado pelo especialista, a hipertensão afecta cerca de 42 por cento da população portuguesa. Porém, apenas 46 por cento conhece a sua situação. Por outro lado, só 39 por cento estavam em tratamento e apenas 11 por cento com a tensão arterial controlada.
Publicado por dizerbem em maio 9, 2007 02:28 PM | TrackBackO Samuel cabeça, nazir por favor fazer do doente
Afixado por: Samuel em outubro 31, 2008 09:12 PM